terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Os Fuentes - Parte V

Rosa olhou atentamente para Cristóban, colocou as suas mãos sobre as mãos dele e disse gravemente:

– Seu pai está muito doente...
– Meu pai doente, mas como? Ele sempre foi forte como um touro, não pegava nem resfriado.
– Você sabe que seu pai tinha amantes, não sabe? Antes de se separar da sua mãe ele ainda se cuidava, mas depois disso ele se perverteu de uma maneira inexplicável. Passou a freqüentar bacanais, dormia com mulheres e também com homens, fazia orgias que você nem pode imaginar.

O rapaz fitou a mulher com olhar atônito, mal podia acreditar que seu pai – um homem que sempre zelou por sua imagem – participasse desse tipo de coisa. Ele sabia das amantes, mas orgias? Rosa, notando a interrogação no rosto de Cristóban, tratou de pegar um copo d’água para ajudá-lo a “engolir” tais revelações.

– Eu disse que a sua mãe sofreu muito.
– Dinda, a minha mãe era uma santa e eu nem sabia.
– Infelizmente ainda tem mais...
– Mais? Arregalou os olhos e fez um gesto confuso. Aquela loucura não tinha fim?
– Sim, filho, ainda tem mais... Há poucos anos seu pai teve uma pequena irritação de garganta que virou uma infecção. Em seguida ele contraiu um resfriado que quase se transformou em pneumonia. O Dr. Henrique perdeu um pouco de peso e o médico dele recomendou uma bateria de exames... Aquilo que ele mais temia aconteceu, ele contraiu SIDA.

Cristóban estava estático, não sabia o que dizer. Tentava colocar as idéias em ordem, tentava digerir todas aquelas revelações, mas tudo parecia meio irreal.

– Como você soube, Dinda? Eu conheço o meu pai e sei que ele jamais diria isso a alguém.
– Eu fiquei sabendo por que “alguém” precisava cuidar da medicação dele. Você é médico e sabe que esses coquetéis são caros. Seu pai mandava trazer as últimas novidades da pesquisa farmacêutica diretamente dos Estados Unidos e eu cuidava de tudo. O Dr. Henrique não queria, de forma alguma, que pessoas de fora descobrissem. Era aí que eu entrava.
– Quer dizer que o velho finalmente confiou em alguém? Resmungou o rapaz.
– E em quem mais ele poderia confiar? Retrucou a governanta.
– Ao menos uma vez na vida ele fez uma coisa certa: confiou em alguém que merecia confiança. E com o olhar ele agradeceu a sua Dinda.

Por um instante Cristóban parou e tentou escutar os sons característicos daquela casa, mas não ouviu nada. Curioso ele indagou:

– Dinda, eu não ouço os outros criados conversando. Onde estão?
– Não estão, meu filho. Eu ainda não lhe contei tudo...

3 comentários:

Anônimo disse...

mais, Daniel
vamos, tá bom d+
escreva dois por dia
GG

Fernando disse...

Grande, Daniel!


Quando é que sai o livro? Fiquei sabendo pela Camila, que consideração, hein! Depois dos nossos longos anos de relacionamento!
Sem putaria, tá ficando muito bom! Você é foda! Parabéns!

Mariana Esteves disse...

Mais um comentário meu igual a todos os outros
"tá muito bom meeesmo e eu to esperando a próxima parte "

beeeijo Daniel
=*