sábado, 26 de janeiro de 2008

Os Fuentes - Parte IV

O Hércules 56 pousou em uma base militar nos arredores da cidade do México. O dia começava a clarear e Cristóban pegou um táxi que em cerca de duas horas o deixou em frente a residência de seu pai. Pagou a corrida, tirou as suas malas e ficou só na rua.

Cristóban colocou-se diante do imenso portão de ferro e olhou tudo a sua volta – ele tinha a nítida impressão que nada havia mudado. Olhou para o interfone e sentiu suas pernas tremerem, o estômago gelou, um calafrio percorreu a sua espinha e ficou um pouco desorientado. Hesitou por alguns instantes, mas finalmente apertou o botão do interfone:

– Quem é? Perguntou a voz feminina.
– So... Sou... Sou eu, Dinda. Gaguejou nervosamente.

O portão imediatamente se abriu e ele começou a caminhar através do gigantesco quintal em direção a entrada da casa. Ao completar metade do caminho uma senhora muito simpática veio correndo em sua direção. Era Rosa:

– Graças a Deus e à Virgem de Guadalupe, você está bem! E abraçou calorosamente o rapaz.
– Calma Dinda, não precisa arrancar pedaço! E riu da efusiva recepção da governanta.
– Ora essa, seu moleque, eu ajudei a criá-lo! Você é um pouco filho meu, Cristóban. E deu um apertão em sua bochecha para em seguida comentar: – Você está muito magrinho, aposto que não se alimenta direito! Foi o suficiente para aliviar a tensão no semblante de Cristóban e fazer com que os dois dessem boas risadas.

Entraram na grande casa seguindo até a cozinha onde tomaram um copo de café e falaram brevemente sobre as suas viagens à África e todas as barbaridades que presenciou, mas o que lhe interessava mesmo era saber a respeito do pai e o que havia acontecido.

– Cristóban, seu pai está no quarto dele. Ele foi medicado e agora está repousando... Mas o que eu tenho para contar é triste e perdoe-me se não falei nada antes, mas seu pai me fez prometer que nem você e nem seu irmão saberiam.
– O que pode ser tão grave assim que não podemos saber?
– Filho – continuou ela em tom grave – seu pai e sua mãe estavam mantendo um casamento de aparências há muito tempo. Pouco depois do Ernesto nascer, a relação deles terminou. Ele não queria o divórcio porque temia que sua imagem ficasse arranhada, e ela não insistiu porque temia que ele tirasse vocês dois dela. Sua mãe suportou as piores humilhações em nome do amor que ela tinha por vocês.
– Eu não fazia idéia disso, Dinda. Sempre achei que a minha mãe passava por tudo aquilo por ser submissa.
– Não, Cristóban! Não fale uma coisa dessas... Ela jamais foi submissa, mas suportou o seu pai pelo seu bem e do seu irmão.

Cristóban ficou pensativo. Ele sabia que a sua mãe era uma grande mulher, mas nunca imaginou que ela fosse tão corajosa. Na verdade ele via a coragem dela ao auxiliar justamente aquelas pessoas que o seu pai havia prejudicado, mas era tão novo que não entendia. Essas lembranças agora voltavam e ele juntava as peças do quebra-cabeça: “Do modo dela, ela o enfrentou”, e um sorriso brilhou no seu rosto. Rosa continuou:

– Em decorrência dessa separação, os dois sequer partilhavam a mesma cama. Quando você e seu irmão estavam dormindo, ela se dirigia ao quarto de hóspedes e os dois dormiam separados.

Cristóban escutava tudo com muita atenção e mesmo aquilo sendo uma novidade, ele não conseguia se sentir surpreso. As surpresas, no entanto, ainda estavam por vir.

2 comentários:

Mariana Perez Esteves disse...

Eu tô esperando as surpresas desde a parte I, Daniel ¬¬
HAIahiuHAiuahiAHIah

Gostei da mãe dos meninos.Ela é forte. *-*

Beeeijos

Anônimo disse...

Daniel, não enrola.....
tá escrevendo poucas linhas, quero mais ação...umas 100 linhas...
tô acompanhado igual noveleiro..
500 capítulos tá bom
GG