domingo, 6 de janeiro de 2008

O Pacote de Pão de Forma


Certo dia eu estava conversando com uma amiga e comentávamos sobre as nossas desventuras amorosas. Foi um bate-papo tragicamente cômico e ríamos da nossa evidente estupidez sobre as coisas do coração.

É impressionante o paradoxo que vivemos nestes tempos de internet e globalização. A tecnologia melhorou sensivelmente e reinventou a maneira como nos comunicamos, as distâncias geográficas foram virtualmente sumindo ao ponto de trocarmos informações em tempo real com alguém que esteja na Índia ou no Japão. Por outro lado, e apesar de um maior contato com outras pessoas, as relações inter-pessoais sofreram um magnífico revés: parece-me que o avanço tecnológico nos tornou indivíduos mais frios. A internet “diminuiu” as distâncias, mas aumentou o abismo das relações humanas.

Este tal abismo não é culpa do mundo virtual onde se cria uma imagem ou uma personagem que não correspondem à realidade do que somos; o ambiente digital é um reflexo da nossa desesperada tentativa de sermos algo mais do que gostaríamos, de suprimir nossas imperfeições em busca de alguma aceitação. A culpa é, de fato, da era em que vivemos: cultuam-se a forma em detrimento do sentimento, a competição em detrimento da amizade e a produtividade em detrimento da qualidade de vida. Não há como negar, é uma época em que o capitalismo tornou-se um monstro devorador de sonhos e isso só foi possível graças à valiosa ajuda da mídia e seu apelo consumista: nunca se deu tanto valor ao dinheiro e aos bens materiais.

É evidente que viver em um sistema tão cruel quanto este, obrigando-nos a ser como máquinas, acabaria por afetar as nossas relações pessoais: tudo começa pela desestabilização da família, passando pela criação de indivíduos sem adequados princípios morais e culminando em adultos perdidos. As relações amorosas naturalmente sofreriam um certo impacto, já que a superficialidade e a falta de compromisso são os tons da música. O que esperar de uma sociedade onde romantismo e sentimento pelo próximo são piegas, e se diz que a aliança no dedo é um “bambolê de trouxa”? Quando o sujeito finalmente consegue se engajar em um relacionamento “sério”, acaba descobrindo que aquela relação não passa de uma forma barata de tiranismo que ocorre quando o segundo elemento envolvido (ele ou ela) usa o namoro, noivado, ou seja lá o que for, para impor-se e para fazer valer apenas a sua vontade.

Essa minha amiga, durante a animada conversa citada anteriormente, mencionou que se sentia como uma frigideira: sem tampa que servisse nela. Para mim está muito clara a dificuldade que existe atualmente para encontrarmos a “tampa da nossa panela”. Ela certamente sente que veio ao mundo para ser frigideira ou cumbuca (você já viu uma cumbuca ter tampa?). Mas eu quero facilitar as coisas para mim – eu também me sinto como uma cumbuca – e na próxima encarnação eu pretendo voltar como embalagem de pão de forma, assim qualquer aramezinho pode fechar o pacote.

4 comentários:

Luciene disse...

É,meu amigo, por isso que te admiro, além de inteligente ainda é uma excessão as regras masculinas: você cumpre promessas...rs rs Falou que iria escrever e aí está um texto lindo, que em poucas palavras resumiu toda a nossa conversa de uma maneira fácil de entender sem deixar faltar um "Q" cômico.
Adorei mesmo...

hercules disse...

tem alguem agora pra avalia seus texto ...

espero mais ...

Nayara disse...

uahuahuah
Realmente, hj em dia a dificuldade de se encontrar a tampa da penela está cada vez mais dificil, acho que o advento do microndas ajuda, mas o fato é que cada dia que passa é mais dificil confiar nos outros. Está fora de moda ter algo sério, pq todo mundo tem medo de se machucar, e em tempos de guerra, ter sua melhor arma (o coração) desarmada é rendição na certa!!

=D

Patricia Correia disse...

Adorei, simplesment adorei...
Amei o blogger, uma idéia maravilhosa, um lugar onde posso me encontrar, encontrar sensibilidade... Encontrar uma pessoa de verdade...
Te adoro mocinho...