quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

O Miojo e o Ano Novo

Mais um ano nasceu. Essa é a época em que se criam todas as expectativas de um futuro cheio de alegrias, de conquistas, enfim... É impressionante como o povo gosta de se enganar, como se o mundo fosse cair em seus colos por pura e simples vontade divina. A realidade é bem diferente!

A chegada de 2008 foi, sem dúvida alguma, a mais sem graça que eu já tive nos meus 29 anos de vida. Não porque eu não tenha motivos para me alegrar – vislumbro coisas muito positivas neste ano para a minha carreira – e tão pouco por ter estado longe das pessoas que eu amo (tive a todas bem perto). Acho mesmo que o que mudou foi a minha cabeça e a maneira como eu vejo as coisas. Aquela velha inocência que insistia em permanecer agarrando-se heroicamente no meu peito, acabou por desfalecer sem mais agüentar as seguidas pancadas que a vida infringiu em nós dois (eu, porém, sou mais forte).

A vida agora me parece mais cruel, mas por outro lado eu enxergo com maior facilidade as armadilhas que se apresentam no caminho. Sim! É muito ruim não conseguir confiar nas pessoas, mas eu faço uma analogia que pode equilibrar um pouco essa balança: confiar em alguém é como estar no último andar de um arranha-céu, enquanto não confiar é como permanecer de pé no topo de uma pequena escada. Você já se imaginou caindo do último andar de um arranha-céu? Não quero, com isso, dizer que não se deva jamais confiar nas pessoas, mas é preciso escolher bem por quem gostaríamos de dar um salto no vazio; pular do mais alto dos prédios sabendo que, inevitavelmente, beijaremos o chão. Lembre-se que também podemos nos machucar feio caindo do topo de uma escada.

A minha virada de ano foi bem sem graça, é verdade, e para evitar constrangimentos eu sequer apareci no dia seguinte para o famoso almoço da família – cheio das coisas mais gostosas que se possa imaginar. Eu preferi ficar em casa – degustando um macarrão instantâneo – partilhando da companhia de uma das poucas criaturas em quem eu posso realmente confiar: eu mesmo! Nunca, em toda a história moderna, um miojo de carne teve o sabor de um banquete.

5 comentários:

Eduarda disse...

Primeira a comentar, que honra!
o texto tá ótimo, já havia lhe dito.
o blog tá lindo!
beijos :***

Nayara disse...

ahh pra não se machucar, erre o chão!!!

confiança, sem esperança ...

GG disse...

Muito Bom, Daniel!
Começou do 10 !
Quanto ao "miojo", chama-se experiência chegando!!! Acredite.
Cultue o otimismo. Ele faz coisas incríveis.
Achei alguém para encher o saco. Legal!!!!.
Se gostar, escute depois a música letrada abaixo: simples, direta e 2008.
"Porta do mundo"
Composição: Tião Carreiro ( o gênio sertanejo sem televisão...)

O som da viola bateu
No meu peito doeu,meu irmão
Assim eu me fiz cantador
Sem nenhum professor, aprendi a lição
São coisas divinas do mundo
Que vem num segundo a sorte mudar
Trazendo pra dentro da gente
As coisas que a mente vai longe buscar
Trazendo pra dentro da gente
As coisas que a mente vai longe buscar

Em versos se fala e canta
O mal se espanta, e a gente é feliz
No mundo das rimas e trovas
Eu sempre dei provas das coisas que fiz
Por muitos lugares passei
Mas nunca pisei em falso no chão
Cantando interpreto a poesia
Levando a alegria onde há solidão
Cantando interpreto a poesia
Levando a alegria onde há solidão

O destino é o meu calendário
O meu dicionário é a inspiração
A porta do mundo é aberta
Minh’alma desperta buscando a canção
Com minha viola no peito
Meus versos são feitos pro mundo cantar
É a luta de um velho talento
Menino por dentro sem nunca cansar
É a luta de um velho talento
Menino por dentro sem nunca cansar

cep08383-015 disse...

Falei!
Vou encher o saco!!!
Falo sempre por música...
escute essa, bem juramento, dói no peito do mineiro..

A Triste Partida
Luíz Gonzaga
Composição: Patativa do Assaré

Meu Deus, meu Deus
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai
A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois barra não tem
Ai, ai, ai, ai
Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai
Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Sinhô São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai
Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nóis vamo a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai
Nóis vamo a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Ai pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai
E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai
Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrívi
Que tudo devora
Ai,lhe bota pra fora
Da terra natal
Ai, ai, ai, ai
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai
No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Com seu filho choroso
Iscrama a dizer
Ai, ai, ai, ai
De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai
E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo e azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos fio pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai
Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Percura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai
Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai
Se arguma notíça
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade de móio
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai
Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai
Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
A lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai

hercules disse...

li,

bom...muito bom mesmo

``Nunca, em toda a história moderna, um miojo de carne teve o sabor de um banquete.´´




miojo de galinha ou frango é sempre o melhor,

...nada desses de carne , pizza, legumes, queijo, camarão e outros; nada desses





acabei de fala , e sempre falo isso , miojo é o absinto dos pensadores modernos

van gogh,, picasso e grandes pensadores usavam em sua epoca, e fosse hoje , se fosse no réveillon de 2007/2008 eles com certeza estariam comendo miojo , tomando coca, vendo um filme legendado, pensando em como a vida sua e dos em voltas foi ficar assim, e depois escrevendo algo, pintando algo e batendo punheta



e de certo estariam na traumas da adolescência

quem se atreve ficar madragas à sós com sua mente e quem sabe um programa de tv ou algo na internet , que nem afeta sua mente ,
quem fica na viagem na compreensão, odio , revolta e problemas familiares

esse cara de fato é um acidou apreciador do MIOJO ,COCA COLA E PÃO

esse é o alimento dos fortes